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E se boa parte do trabalho que sustenta o mundo simplesmente não entrar na conta? 🧵 A Economia Feminista questiona os limites dos modelos tradicionais.

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A Economia Feminista está questionando uma ideia bem antiga: e se os modelos econômicos tradicionais forem uma “cama de Procusto” — forçando a vida real a caber numa medida estreita? 📊🧵

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Na mitologia, Procusto ajustava viajantes à força numa cama: cortava o que sobrava e esticava o que faltava. A crítica é parecida: indicadores como o PIB medem muita coisa, mas deixam outras gigantes de fora.

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O exemplo mais claro é o trabalho de cuidado: cozinhar, limpar, cuidar de crianças, idosos e pessoas doentes. Sem isso, nenhuma empresa abre, ninguém chega ao trabalho e a economia simplesmente trava.

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Só que, quando esse cuidado é feito sem remuneração — historicamente, sobretudo por mulheres — ele quase não aparece nas estatísticas. Parece “assunto privado”, mas é uma infraestrutura invisível da economia.

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A Economia Feminista não diz que números são inúteis. Ela pergunta: quais números usamos, quem ficou fora da conta e quais decisões viram prioridade quando só olhamos para lucro, produção e crescimento?

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Isso mexe com negócios e políticas públicas: creches, licença parental, jornada de trabalho, proteção a trabalhadoras domésticas e serviços de cuidado podem ampliar renda, autonomia e participação no mercado.

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No fim, a questão é bem prática: uma economia que ignora quem sustenta a vida cotidiana pode até crescer no gráfico — mas cresce sobre uma base desigual. Talvez o problema não seja a vida não caber no modelo; seja o modelo ser pequeno demais.

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