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Resumo em 10 segundos

🧊 A “Geleira do Juízo Final” não vai decidir sozinha o futuro das costas, mas um novo modelo indica que seu risco foi subestimado — e o relógio pode estar correndo mais rápido.

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A Thwaites, na Antártida Ocidental, pode contribuir com até 3,01 cm para a elevação do nível do mar até 2100 — quase o dobro dos 1,52 cm estimados por modelos de referência. 🧊🧵

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Parece pouco? Não é. Esses centímetros se somam à expansão térmica dos oceanos, ao derretimento de outras geleiras e das camadas de gelo. Em regiões costeiras baixas, pequenas diferenças na média elevam muito o risco de ressacas e inundações.

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O ponto central está sob o gelo: a zona de aterramento, onde a geleira deixa o solo submarino e passa a flutuar. Água oceânica relativamente quente pode derreter essa região por baixo e acelerar o recuo.

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Desde meados dos anos 1990, a parte oeste da Thwaites já recuou cerca de 25 km. O novo estudo modelou uma zona de transição com vários quilômetros de largura — um detalhe físico que modelos mais simplificados podem não captar bem.

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A atenção se volta para a Crista Mouginot, uma elevação no leito marinho que hoje ajuda a sustentar o gelo. Nas simulações com zona de transição de 4 a 6 km, a chance de a geleira se desprender desse apoio até 2100 chegou a 60%.

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Em alguns cenários, esse desprendimento aparece já em 2038. Isso não é uma previsão com data marcada: é um resultado condicionado às hipóteses do modelo. Mas revela que tratar a estabilidade da Thwaites como garantida seria uma aposta científica frágil.

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Há uma ressalva crucial: as simulações usaram condições climáticas médias de 1996 a 2023, sem adicionar aquecimento futuro. Também simplificam a circulação oceânica e não incluem todos os processos de quebra do gelo. Incerteza não significa segurança.

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A lição é menos cinematográfica — e mais séria: precisamos de medições no oceano sob a plataforma de gelo, modelos melhores e redução de emissões. A Thwaites não é um “gatilho mágico”, mas expõe como ignorar riscos graduais pode custar caro demais.

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