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Ela admitiu crimes contra a humanidade — e depois voltou atrás. A morte de Biljana Plavšić traz à tona memória, justiça e impunidade nos Bálcãs. 🕊️

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Biljana Plavšić, ex-líder política dos sérvios da Bósnia, morreu. Ela foi uma das raras figuras de alto escalão da guerra da Bósnia a admitir culpa por crimes contra a humanidade — apenas para depois dizer que faria tudo de novo. 🕊️🧵

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Nos anos 1990, enquanto a antiga Iugoslávia se fragmentava, a Bósnia mergulhou numa guerra marcada por cercos, expulsões e violência contra civis. Plavšić integrava a cúpula política sérvio-bósnia naquele período.

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Em 2003, diante do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, ela se declarou culpada por perseguição como crime contra a humanidade. O reconhecimento parecia abrir uma fresta de responsabilização.

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A pena foi de 11 anos de prisão. Ela saiu em liberdade em 2009, após cumprir parte da condenação. Para sobreviventes e familiares das vítimas, cada decisão judicial carregava uma pergunta difícil: o que pode, de fato, reparar uma atrocidade?

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Depois de deixar a prisão, Plavšić recuou da culpa. Disse que sua confissão havia sido uma estratégia e afirmou que repetiria suas escolhas. A fala expôs o abismo entre a Justiça que registra crimes e a memória política que tenta relativizá-los.

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A morte dela encerra uma biografia, não a história. Na Bósnia, a paz segue convivendo com feridas abertas, discursos nacionalistas e famílias que ainda buscam reconhecimento. Preservar a verdade é uma forma concreta de proteger vidas no futuro.

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