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Aos 92 anos, “El Ingeniero” deixa uma marca que vai muito além de eleições perdidas: ele ajudou a desmontar a hegemonia política no México. 🇲🇽🧵

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Cuauhtémoc Cárdenas, figura decisiva da esquerda mexicana, morreu aos 92 anos. 🇲🇽🧵 Mesmo sem vencer a Presidência em três tentativas, “El Ingeniero” ajudou a abrir a brecha que mudou o sistema político do México.

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Filho do ex-presidente Lázaro Cárdenas e engenheiro formado pela UNAM, ele foi governador de Michoacán e chefe de governo da Cidade do México. Mas seu papel histórico foi maior: desafiar por dentro a hegemonia de décadas do PRI.

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A eleição de 1988 é o centro dessa história. Cárdenas reuniu partidos de esquerda, estudantes, trabalhadores e movimentos camponeses numa frente nacional — algo impensável poucos anos antes, quando a esquerda recém havia sido legalizada.

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Ele disputou voto a voto com Carlos Salinas, do PRI. A vitória oficial do governo foi marcada por uma controversa “queda do sistema” de apuração e acusações persistentes de fraude. O episódio expôs os limites de uma democracia ainda controlada pelo poder.

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A crise de 1988 não encerrou a mobilização: ela reorganizou a oposição. Em 1989, Cárdenas ajudou a criar o PRD, que por três décadas foi a principal casa institucional da esquerda mexicana — e formou lideranças que depois chegariam ao poder.

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Claudia Sheinbaum participou do movimento estudantil da UNAM que se aproximou daquela campanha. López Obrador, então ligado ao PRI, rompeu com o regime naquele ciclo. Os dois reconheceram em Cárdenas uma referência direta de sua trajetória.

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O consenso após sua morte chama atenção: até os ex-presidentes Vicente Fox e Felipe Calderón, do PAN, prestaram homenagens. Em tempos de polarização, isso revela o tamanho de seu legado: instituições democráticas dependem de quem aceita confrontar poderes quase incontestáveis.

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Cárdenas não chegou à Presidência, mas ajudou a tornar possível que outros chegassem. Seu legado é um lembrete incômodo e atual: alternância de poder não nasce sozinha; exige organização social, regras eleitorais confiáveis e memória sobre como a democracia foi conquistada.

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