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📱 A era dos smartphones prometeu abundância, mas moradia, saúde e faculdade parecem cada vez menos acessíveis. O livro “Abundância” coloca as travas institucionais no centro do debate.

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A tecnologia colocou um computador no bolso de quase todo mundo. Mas comprar uma casa ficou mais difícil. 🏠📱 O livro “Abundância”, de Ezra Klein e Derek Thompson, propõe uma explicação incômoda: talvez as regras estejam travando a oferta. 🧵

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A pergunta que guia os autores é simples e poderosa: se smartphones, IA e biotecnologia avançaram tanto, por que tantos americanos sentem que os pilares da vida de classe média — moradia, saúde e faculdade — ficaram fora de alcance?

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A resposta deles começa pela diferença entre consumir e produzir. Os EUA criaram vários subsídios para ajudar famílias a pagar bens e serviços, mas, segundo a tese, oferecem menos caminhos para construir casas, infraestrutura e serviços a custos menores.

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O contraste histórico ajuda a contar a história: o tempo médio necessário para adquirir um imóvel nos EUA teria passado de 2,3 anos, nos anos 1950, para sete anos nos anos 2000. Enquanto isso, dívidas passaram a ocupar mais espaço no orçamento familiar.

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No centro do enredo está a habitação. Regras de zoneamento restritivas e códigos de construção complexos podem proteger padrões urbanos, mas também podem elevar custos, atrasar obras e limitar a entrada de novos projetos no mercado.

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A crítica não é um convite a construir sem critérios. Proteção ambiental, acessibilidade e participação comunitária importam. O desafio é desenhar regras que garantam esses direitos sem transformar cada novo projeto em uma corrida de obstáculos cara e interminável.

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Como observou o economista Manoel Pires, do FGV-IBRE, o debate sobre acessibilidade habitacional envolve questões estruturais pouco visíveis. Quando a oferta não acompanha a demanda, a escassez vira poder de mercado — e a conta chega para quem precisa morar.

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A promessa de abundância não depende só de inventar a próxima tecnologia. Depende também de conseguir transformar inovação em casas, transporte e serviços acessíveis. Às vezes, o maior gargalo não está no laboratório: está no caminho até a obra começar.

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