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Resumo em 10 segundos

🌿 A UFPA transforma saberes indígenas e tradicionais em cartilhas, livros e jogos para escolas públicas — e questiona quem tem o direito de ser reconhecido como produtor de conhecimento.

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Ciência não começa só no laboratório: ela também está nas marés, na pesca, na roça e na construção de barcos. 🌿🧵 Na UFPA, o projeto Popularizando Ciência leva saberes de comunidades amazônicas para materiais usados nas escolas.

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Coordenada pela professora Roberta Sá, no Campus Bragança, a iniciativa existe desde 2020. Ela articula ensino, pesquisa e extensão a partir de vivências com os Tembés, a comunidade do Buçu e pescadores de Ajuruteua, no Pará.

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A proposta parece simples, mas mexe numa questão central: por que tantos currículos ainda tratam o conhecimento local como “curiosidade”, enquanto apresentam a ciência como algo distante da vida dos estudantes?

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As cartilhas interculturais conectam conteúdos científicos ao cotidiano: ecologia costeiro-estuarina, pesca, alimentação, território, sociobiodiversidade, unidades de conservação e mudanças climáticas. Aprender ganha contexto — e contexto muda a aprendizagem.

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Entre os materiais estão o livro “Artesãos das Águas”, sobre mestres construtores de embarcações, uma cartilha sobre saberes pesqueiros e um jogo da memória sobre comunidades costeiras e emergência climática. Didática não precisa ser genérica para ser rigorosa.

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Há um cuidado metodológico indispensável: valorizar saberes tradicionais não é apenas “usar exemplos locais”. É reconhecer pescadores, extrativistas, mestras e mestres de ofício como produtores de conhecimento — com autoria, memória e direitos sobre seus territórios.

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Num momento em que a crise climática exige respostas situadas, escutar quem conhece rios, marés e florestas há gerações é ciência aplicada. A pergunta que fica: quando a escola reconhece o território, ela não ensina melhor também a protegê-lo?

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