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Elas parecem rochas rosadas e silenciosas, mas funcionam como cidades submarinas. 🪸🔬

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Duas áreas do litoral brasileiro podem abrigar até 1% da diversidade marinha conhecida no mundo — dentro de estruturas que parecem simples pedras rosadas. 🪸🧵

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A história começa nos rodolitos: aglomerados de algas calcárias vivas. Duros por fora, cheios de frestas por dentro, eles viram abrigo, berçário e alimento para uma multidão de organismos no fundo do mar.

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Pesquisadores da Unifesp investigaram o Banco dos Abrolhos, na Bahia, e a Ilha da Queimada Grande, em São Paulo. O contraste impressiona: Abrolhos tem cerca de 20 mil km² de rodolitos; Queimada, só 1 km².

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Mesmo assim, nas amostras das duas áreas apareceram mais de 450 espécies de algas e invertebrados. É como descobrir que uma pedra aparentemente imóvel guarda um condomínio inteiro de vida oceânica.

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A equipe foi além do que os olhos alcançam. Parte dos rodolitos foi analisada com metabarcoding, técnica que lê fragmentos de DNA da mistura inteira — um “código de barras” capaz de revelar larvas, micróbios e animais escondidos.

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O resultado trouxe 1.837 assinaturas genéticas únicas, chamadas ESVs. Muitas ainda não têm nome: seus DNAs não estão catalogados em bases públicas. Ou seja, parte dessa biodiversidade existe, mas segue invisível para a ciência.

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No cenário mais amplo, cada assinatura poderia corresponder a uma espécie — elevando o total potencial dessas duas áreas a até 1% das cerca de 200 mil espécies marinhas conhecidas. Proteger o oceano também é reconhecer o valor do que ainda nem conseguimos nomear.

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