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🌍 Brasil articula fundo de garantias com o banco dos Brics para combater fome e pobreza. A proposta expõe tanto uma oportunidade quanto o vazio deixado por cortes na ajuda internacional.

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🌍 O banco dos Brics, sediado em Xangai, pode ajudar a lançar ainda este ano um fundo para baratear empréstimos a famílias pobres na África e na América Latina. A previsão inicial é de um piloto de US$ 200 milhões. Mas a engenharia importa tanto quanto o anúncio. 🧵

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A ideia é usar garantias: o fundo reduziria o risco para bancos locais emprestarem a quem normalmente enfrenta juros altos ou sequer consegue crédito. Em tese, isso pode financiar pequenos negócios, moradia, água, saneamento e produção de alimentos.

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O ponto crítico: US$ 200 milhões é pouco diante da escala da fome e da pobreza nos dois continentes. Como piloto, pode testar um modelo útil; como resposta estrutural, é insuficiente. O resultado dependerá de escala, transparência e foco em quem mais precisa.

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O mecanismo seria a primeira contribuição financeira concreta do Novo Banco de Desenvolvimento para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada pelo Brasil no G20 de 2024. Até agora, o banco havia sinalizado cooperação, mas sem valor definido.

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A aliança reúne 215 membros, incluindo mais de 107 países e 14 instituições financeiras. Só que ela não tem caixa próprio: depende de aportes de parceiros. Isso mostra o limite de coalizões globais ambiciosas quando promessas não viram financiamento previsível.

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O Banco Interamericano de Desenvolvimento prometeu até US$ 25 bilhões entre 2025 e 2030 e já aprovou US$ 4,1 bilhões em operações alinhadas à aliança. Já o banco dos Brics entra num terreno novo: foi criado em 2015 com foco maior em infraestrutura.

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A disputa também é política: a presidência dos EUA teria retirado fome e desigualdade do centro da agenda do G20, priorizando desregulação, energia, tecnologia e comércio. Crédito acessível não substitui políticas públicas, mas pode ser uma ponte — se chegar à ponta sem capturas e burocracia.

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