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🌍 A ambição geopolítica do BRICS cresce, mas a participação social ficou fora da foto em Nova Délhi. O tamanho do bloco não garante mais democracia global.

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O BRICS reuniu 11 países que somam 49% da população mundial e 28% da economia global. 🌍 Mas a Cúpula de Nova Délhi expôs uma pergunta incômoda: um bloco tão grande presta contas a quem? 🧵

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Só colocar na mesma mesa Índia e China, rivais históricos, além de Rússia, Irã e Emirados Árabes Unidos, já foi um feito diplomático. O encontro terminou com declaração conjunta após meses de impasse. Mas consenso mínimo não é sinônimo de solução.

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A declaração evitou aprofundar as divisões mais explosivas: as guerras envolvendo Irã e Ucrânia e as respostas às tarifas dos EUA. Quando os interesses nacionais colidem, o texto comum tende a dizer pouco — e a ambição coletiva fica no papel.

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O contexto ajuda a explicar a aproximação: com os EUA vistos por vários governos como parceiro instável e, em alguns casos, coercitivo, países buscam alternativas. Para a Índia, até a relação com a China ganha novo peso estratégico.

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O BRICS se apresenta como voz do Sul Global e contraponto à concentração de poder do Norte Global. Essa crítica tem base real. Mas trocar um centro de poder por outro, sem transparência e participação, não democratiza a ordem internacional.

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O ponto mais sensível é a prestação de contas. Muitos integrantes restringem o espaço cívico, limitando imprensa independente, organizações sociais e protestos. As demandas da Cúpula dos Povos do BRICS foram ignoradas no documento final.

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A questão não é se o BRICS deve crescer, mas como. Um multilateralismo relevante precisará ouvir trabalhadores, comunidades afetadas e sociedade civil — não apenas governos e elites econômicas. Representar 49% do mundo exige mais que assentos à mesa.

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