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☕🌿 Quintais agroflorestais do nordeste paraense guardavam uma surpresa científica: um café raro, preservado por gerações.

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Um café raro, mantido por gerações em quintais do Pará, acaba de ganhar nome e registro científico: o “beirão” é Coffea liberica ☕🌿 E ele estava ali, vivo na memória e no cuidado das famílias agricultoras. 🧵

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Pesquisadores do projeto Café Ancestral Agroecológico analisaram 57 cafeeiros em oito propriedades de Irituia, São Domingos do Capim, Ourém, Capitão Poço e São Miguel do Guamá.

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O levantamento confirmou duas espécies: a Coffea arabica, chamada por ali de “pretinho” e “moca”, e a raríssima Coffea liberica, o “beirão”. Na cafeicultura brasileira atual, a liberica quase não aparece.

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E tem detalhe bonito de ciência feita com atenção: havia plantas de beirão com frutos vermelhos e outras com frutos amarelos. Já o “moca” produz uma única semente arredondada em cada fruto — diferente do café mais comum.

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Dos exemplares estudados, 48 plantas férteis foram incorporadas ao Herbário IAN, da Embrapa Amazônia Oriental. A coleção agora tem uma seção dedicada ao café na “Agricultura da Amazônia”. Isso ajuda a preservar material e conhecimento.

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O mais legal é que a descoberta não nasceu só no laboratório. Em muitas propriedades, foram mulheres da família que conservaram os cafeeiros, as formas de preparo e as histórias passadas de mãe para filha.

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Às vésperas dos 300 anos da chegada do café ao Brasil, em 1727, o “beirão” lembra uma coisa enorme: diversidade agrícola não mora apenas em bancos de sementes. Ela também sobrevive nos quintais, nas mãos e na memória de quem cultiva.

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