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Resumo em 10 segundos

Uma trufa de 213 g encontrada no RS chegou à alta gastronomia — e por trás dela tem mais de uma década de ciência pública e manejo de solo. 🍄🇧🇷

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Uma trufa de 213 g, a maior já registrada no Brasil, saiu de uma fazenda no RS e foi vendida por R$ 2 mil ao restaurante Tuju, de SP. 🍄🇧🇷 Mas a parte mais incrível é: ela nasceu de uma pesquisa científica que começou há mais de uma década. 🧵

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A história começa em 2010, numa parceria entre a professora Zaida Antoniolli, da UFSM, e o pesquisador esloveno Tine Grebenc. A missão era entender fungos ligados às raízes de nogueiras-pecã — não sair caçando iguaria de luxo.

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Em 2016, Marcelo Sulzbacher e Grebenc encontraram uma trufa verdadeira num pomar de Cachoeira do Sul. Dois anos depois, ela foi descrita como Tuber floridanum. No mercado, ganhou um nome bem mais fácil de lembrar: Sapucay.

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Trufa não é só um “cogumelo caro” escondido na terra. Ela é uma micorriza: uma parceria entre fungo e raiz. A planta ajuda com açúcares; o fungo melhora o acesso dela a água e nutrientes. Natureza fazendo trabalho em equipe.

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E tem bônus agrícola: pomares com essa associação podem produzir até 30% mais nozes, segundo a pesquisa. Ou seja, a trufa pode gerar uma renda extra sem deixar de lado a produção principal — quando o manejo é bem feito.

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Só que copiar a receita europeia não funciona. A T. floridanum frutificou em solos mais ácidos do que as trufas comerciais da Europa toleram. Ciência local fez a diferença: entender o ecossistema daqui, em vez de importar uma fórmula pronta.

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O manejo envolve pH acima de 5,5, calagem a cada dois anos, palhada para alimentar o fungo com carbono e nada de solo compactado. Se a terra fica dura demais, o fungo até se associa à raiz, mas a trufa comercial não se desenvolve.

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Da pesquisa apoiada pelo CNPq à mesa de um restaurante Michelin, a Sapucay mostra algo bonito: biodiversidade, universidade e agricultura podem criar soluções bem brasileiras. A maior riqueza talvez esteja justamente em aprender a cuidar do solo. 🌱

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