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A trajetória da pediatra Regina Célia na UFRJ expõe uma mudança histórica — e uma desigualdade que a ciência médica ainda precisa enfrentar. 🩺

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A pediatra Regina Célia Mendes da Silva é a primeira patronesse negra da Faculdade de Medicina da UFRJ em mais de 200 anos. Como uma instituição que forma médicos há tanto tempo só chega a esse marco agora? 🩺🧵

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Ela entrou na UFRJ em 1977 e encontrou só 3 alunos negros em uma turma de 280. Hoje, a turma que a homenageia tem 25 estudantes negros entre 100. É avanço real — mas por que a distância ainda é tão grande?

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Regina passou 40 anos no Hospital Universitário: foi interna, residente, especialista e preceptora no IPPMG/UFRJ. Aos 69, segue ensinando pediatria. Quantas trajetórias como a dela ficaram invisíveis nos corredores da medicina?

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Na consulta, ela vê crianças e famílias reagirem ao encontrar médicas e estudantes negros. Um menino perguntou se um aluno negro “iria ser médico”, porque só via alunos brancos. O que essa percepção precoce diz sobre quem a ciência permite imaginar?

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O dado é direto: pessoas pretas eram cerca de 3% dos médicos brasileiros em 2023, enquanto a população negra representa 56% do país, segundo o Censo. Como a medicina pode cuidar bem de toda a população sem refletir minimamente essa população?

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Representatividade não é só símbolo: amplia referências para estudantes, acolhimento para pacientes e perguntas que a pesquisa em saúde pode deixar de ignorar. Mas depender apenas de histórias individuais não é pouco para um desafio estrutural?

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A homenagem a Regina Célia celebra uma conquista, mas também funciona como espelho: quem ainda falta nas salas de aula, nos hospitais e nas decisões sobre saúde? Uma faculdade muda quando seus corredores passam a parecer com o Brasil.

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