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🎭 Sob bombardeios e com o teatro destruído, Kherson mantém seu festival internacional. Resistência cultural, sim — e um alerta sobre o custo humano da guerra. 🧵

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🎭 Em uma cidade onde civis seguem sob risco de ataques russos, Kherson realizará o Festival Internacional Melpomena Tavrii, de 12 a 19 de setembro. O palco virou abrigo, memória e resistência — mas também expõe o preço brutal de manter a vida cultural em guerra. 🧵

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Criado em 1999, o Melpomena Tavrii já reuniu 610 produções, cerca de 230 teatros, mais de 100 cidades e 20 países. Agora, sua 28ª edição terá atividades em Kherson, Mykolaiv e teatros parceiros pela Ucrânia, sob o lema #TeatroOndeEstamos.

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O teatro Mykola Kulish, em Kherson, não pode mais receber programação regular: fica em uma “zona vermelha”, foi repetidamente atingido e quase não tem janelas. Em 8 de março de 2026, um foguete atingiu o teto; por poucos centímetros, não alcançou o auditório.

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A decisão de não cancelar é poderosa, mas merece uma pergunta difícil: por que artistas e moradores precisam escolher entre segurança e acesso à cultura? Celebrar coragem não pode normalizar a exposição de civis a uma guerra que destrói também escolas, hospitais e espaços públicos.

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Para o diretor Oleksandr Knyha, manter o festival ajuda a dizer ao mundo o que acontece em Kherson e reafirma a identidade ucraniana. Apresentações em abrigos mostram que cultura, em conflito, não é luxo: ela preserva vínculos, dignidade e alguma sensação de futuro.

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Há também uma dimensão internacional: manter teatros de outros países conectados a Kherson reduz o isolamento que a guerra tenta impor. Solidariedade cultural não substitui proteção aérea, ajuda humanitária ou responsabilização pelos ataques — mas dificulta que uma cidade seja apagada do mapa e da memória.

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O festival não elimina o perigo, nem reconstrói sozinho um prédio bombardeado. Mas sua existência recusa uma lógica central da guerra: a de que, para vencer, basta tornar impossível a vida comum. Em Kherson, cada apresentação afirma que reconstruir começa antes das paredes.

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