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🧠 Vestígios em Sulawesi indicam que caçadores-coletores já mascavam noz-de-betel na Era do Gelo — milhares de anos antes da agricultura.

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O mais antigo registro conhecido de uso de substâncias psicoativas por humanos pode ter 20 mil anos. 🧠🧵 Em Sulawesi, atual Indonésia, caçadores-coletores aparentemente mascavam ou chupavam noz-de-betel, uma semente estimulante usada até hoje na Ásia e na Oceania.

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A conclusão vem de um estudo publicado na Science Advances, liderado por Adam Brumm, da Universidade Griffith, na Austrália. Os pesquisadores analisaram vestígios arqueológicos que indicam o processamento e o consumo da noz-de-betel no fim da Era do Gelo.

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A noz-de-betel é parte do fruto de palmeiras do gênero Areca. Ela contém compostos que podem provocar leve euforia, aumento de energia e maior resistência física — efeitos relatados por usuários contemporâneos da substância.

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Hoje, é comum mascar a semente com folha de Piper betle e cal, feito de calcário ou conchas trituradas. Essa combinação aumenta a liberação dos compostos psicoativos. Há 20 mil anos, porém, os indícios apontam para sementes consumidas in natura.

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Isso importa porque desloca no tempo uma hipótese frequente: a de que o uso sistemático de psicoativos teria surgido apenas com a agricultura e comunidades maiores, no Neolítico. Em Sulawesi, a prática parece anterior a esse período por milênios.

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Para comparação: há registros de cerveja de cevada no Oriente Próximo por volta de 13 mil anos atrás e de uso de folhas de coca nos Andes há cerca de 8 mil anos. A descoberta sugere que a busca humana por alterar estados de consciência é muito mais antiga e diversa do que se imaginava.

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