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Resumo em 10 segundos

📉 Por trás dos recordes de exportação, o agronegócio enfrenta inadimplência histórica, crédito caro e uma onda de recuperações judiciais.

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O agronegócio ajudou a puxar o PIB, mas enfrenta um paradoxo preocupante: produtores e empresas do setor acumulam dívidas, atrasam pagamentos e recorrem à recuperação judicial. Entenda a crise de crédito no campo 📉🧵

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Primeiro, o contraste: no 2º trimestre, o PIB cresceu 0,5% frente aos três meses anteriores. A agropecuária avançou 2,8%, enquanto indústria cresceu 0,1% e serviços, 0,2%. Ou seja: o campo segue decisivo para a economia — mas crescimento não significa saúde financeira.

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O nó central é o crédito. Com juros básicos acima de 10% ao ano há quase cinco anos, financiar safra, máquinas, insumos e estoques ficou mais caro. Quando a receita não acompanha esse custo, a margem encolhe e renegociar dívidas vira uma tarefa difícil.

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O principal sintoma é a inadimplência. Entre produtores rurais pessoas físicas, os débitos vencidos há mais de 90 dias chegaram a 9,7% em agosto — maior nível da série do Banco Central. As dívidas atrasadas saltaram de menos de R$ 4 bi em 2023 para R$ 38 bi em abril de 2026.

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A crise não para na fazenda. Segundo o Empresômetro/IBPT, empresas do agro em recuperação judicial cresceram 18,7% entre 2023 e 2025, superando 1.000 casos. É um alerta para toda a cadeia: transportadoras, revendas, cooperativas, comércio e serviços locais.

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O efeito cascata ajuda a entender o risco: cada grande empresa do agro em recuperação judicial leva, em média, outras cinco ao mesmo caminho e contribui para o desaparecimento de 22 negócios, em geral pequenos fornecedores. No período, mais de 12 mil empregos foram eliminados nessas empresas.

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A lição é simples: uma potência exportadora também depende de financiamento previsível e acessível. Crédito rural bem estruturado, gestão de risco e renegociações transparentes podem evitar que uma crise financeira localizada se transforme em perda de empregos e renda em cidades inteiras.

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