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Resumo em 10 segundos

🎨🔬 No mural de São Jorge e Dragão, ciência e tecnologia estão revelando pigmentos, camadas e pistas do processo criativo de Candido Portinari.

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Um mural de 1943, um dragão, São Jorge e uma cor azul que virou assinatura. 🎨🔬 Pesquisadores da USP usaram infravermelho, espectroscopia e computação para investigar o processo criativo de Candido Portinari — sem tocar na pintura. 🧵

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A cena acontece na antiga casa do artista, em Brodowski (SP), hoje Museu Casa de Portinari. É ali que está o mural São Jorge e Dragão, transformado em uma espécie de arquivo: cada camada de tinta guarda decisões, correções e materiais de outra época.

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O desafio era enxergar além do que os olhos alcançam. Com fluorescência de raios X, a equipe identificou elementos químicos; com espectroscopia Raman, reconheceu compostos usando laser. Equipamentos portáteis foram levados ao museu — nada de remover amostras.

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Entre os achados, pigmentos azuis presentes tanto no mural quanto em tubos de tinta usados pelo pintor. Eles são reconhecidos como “azul de Portinari”: uma pista material que aproxima a paleta guardada no ateliê da obra exposta na parede.

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A doutoranda Itiara Mayra de Albuquerque reuniu esses dados em uma metodologia mais matemática, combinando ciência do patrimônio e visão computacional. A ideia é sistematizar a leitura de pinturas murais e encontrar padrões que seriam difíceis de notar manualmente.

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Isso importa porque conhecer os compostos ajuda a conservar a obra, orientar restaurações e até identificar possíveis falsificações. Tecnologia, aqui, não substitui a história da arte: ela amplia as perguntas que podemos fazer a ela.

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No fim, a pesquisa mostra que preservar patrimônio também é inovar: levar laboratório, dados e métodos não invasivos até os acervos torna possível proteger memória cultural sem colocar a obra em risco. O futuro da arte pode começar numa camada invisível de tinta.

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