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🌌 Povos Tukano, Desana e Baniwa mostram que constelações podem orientar ciência ambiental, pesca e vida na Amazônia. 🧵

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No Alto Rio Negro, constelações não servem só para localizar estrelas: elas ajudam a registrar cheias, peixes, aves, plantas e ciclos da floresta. 🌌 Indígenas Tukano, Desana e Baniwa levaram esses calendários ao Rio de Janeiro. 🧵

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Os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) escrevem diários a partir da observação cotidiana. Cada constelação é associada ao que muda no território: nível do rio, migração de peixes e aves, frutificação e outros sinais ecológicos.

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Para Baniwa e Koripako da região do Rio Ayari, são reconhecidas 19 constelações. No calendário anual, 12 maiores organizam a leitura dos ciclos. Não é “folclore” oposto à ciência: é um sistema de observação ambiental construído e testado por gerações.

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O ponto mais interessante é o método: observar, desenhar, comparar períodos e discutir os registros com os mais velhos, os conhecedores. Essa troca aperfeiçoa o calendário e conecta memória coletiva a monitoramento ambiental contemporâneo.

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Na XIII Escola Interamericana de Astronomia Cultural e na XII Jornada Interamericana de Astronomia na Cultura, UFRJ e Museu Nacional abriram espaço para discutir céus do Sul Global. A pergunta necessária: quem decide quais conhecimentos contam como astronomia?

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Esses calendários podem apoiar o monitoramento climático em uma Amazônia sob pressão. Mudanças no ritmo das chuvas, nas cheias ou na migração animal aparecem primeiro para quem acompanha o território todos os dias — e com precisão de longo prazo.

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Valorizar essa ciência exige mais que convidar lideranças para eventos: requer proteger territórios, garantir participação real nas pesquisas e reconhecer autoria dos saberes. O céu não pertence a uma única tradição científica; ele ganha sentido em muitos mundos.

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