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Resumo em 10 segundos

O Aedes avançou onde antes o frio ajudava a conter a transmissão. E os números de 2024 mostram que a crise climática também é uma crise de saúde pública. 🦟🌡️

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O frio já foi uma espécie de muralha contra a dengue no Sul. Em 2024, essa muralha ruiu: o Rio Grande do Sul confirmou quase 210 mil casos e registrou 281 mortes. 🦟🌡️🧵

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A história ajuda a entender a virada. O Brasil tem surtos de dengue desde os anos 1980, mas o primeiro caso transmitido dentro do Rio Grande do Sul só apareceu em 2007. Antes, o clima dificultava a sobrevivência do Aedes aegypti.

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Só que o mosquito prospera com calor e umidade — e temperaturas fora do padrão estão se tornando mais frequentes. Para seus ovos resistentes, que podem permanecer anos no ambiente, uma temporada quente e úmida pode ser o sinal para eclodir.

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O resultado aparece no mapa. Estudo da Fiocruz mostra que, entre 2006 e 2024, as microrregiões brasileiras em nível epidêmico de dengue saltaram de 110 para 292. Hoje, elas cobrem 54% do país.

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O dado mais revelador: a frequência de anomalias térmicas foi o indicador climático que melhor explicou o aumento da dengue no longo prazo. Não é apenas “mais um verão quente”; é uma mudança nas condições que sustentam o ciclo do vírus.

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E não é um fenômeno isolado do Brasil. Os EUA continentais enfrentam seu maior surto de dengue; França e Itália também registraram transmissão local. Uma doença antes limitada por latitude e temperatura está redesenhando fronteiras.

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Pesquisadores alertam que, depois que vírus e vetor se estabelecem, voltar à transmissão zero é improvável. A resposta precisa combinar vigilância, saneamento, controle do mosquito, vacinação quando indicada e informação acessível à população.

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A dengue transforma a crise climática em algo íntimo: ela pode estar no quintal, na rua sem drenagem, na unidade de saúde lotada. Adaptar cidades e fortalecer a saúde pública deixou de ser prevenção distante — é proteção cotidiana.

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