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Resumo em 10 segundos

🎧 Um novo episódio de “Raízes do Saber” mostra como o funeral Boe-Bororo reúne corpo, memória, território e comunidade — e por que esse conhecimento importa para a ciência.

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Um funeral pode durar até quatro meses — e ensinar sobre corpo, sociedade, território e ancestralidade. 🎧 O podcast “Raízes do Saber” mergulha na ciência do funeral Boe-Bororo, em Mato Grosso. 🧵

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A história se passa na Aldeia Meruri e é conduzida pelas memórias de Adriano Boro Makuda, professor e pesquisador Boe. Para seu povo, a despedida não termina na morte: ela reorganiza vínculos e responsabilidades de toda a comunidade.

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No ritual Boe-Bororo, conhecimentos biológicos, espirituais e sociais caminham juntos. Histórias, cantos, convivência e relação com o território transmitem saberes entre gerações — uma ciência vivida, não apenas registrada em livros.

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É o que pesquisadores chamam de “fato social total”: um acontecimento que envolve muitas dimensões da vida coletiva ao mesmo tempo. O funeral fala de quem partiu, mas também de quem fica, do cuidado e da continuidade do povo.

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Esse conhecimento sofreu uma interrupção violenta. Desde o início do século XX, missionários salesianos proibiram rituais Boe; o Baito, casa central das cerimônias, chegou a ser queimado. Por décadas, Meruri precisou buscar outras aldeias.

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Em 2021, em plena pandemia, a comunidade retomou o funeral na própria aldeia para homenagear a liderança Eneldino Kugo Cereu. Adriano e sua mãe, Maria Pedrosa Urugureudo, ajudaram a conduzir esse reencontro com a tradição.

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A retomada também entrou na escola. Ao levar o ritual para o processo educativo, Adriano mostra que saber ancestral e universidade podem dialogar sem que um apague o outro. O episódio está disponível gratuitamente nas plataformas de áudio.

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“A ciência do funeral” amplia uma pergunta essencial: quem decide o que conta como conhecimento? Ouvir os povos originários não é só preservar memória — é reconhecer formas rigorosas e coletivas de compreender a vida.

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