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🤖 Joel Mokyr desloca o debate: o freio à inovação pode estar na desinformação, na xenofobia e no desprezo pela ciência — não nos algoritmos.

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“O inimigo não é a tecnologia, somos nós.” 🤖🧵 No Febraban Tech, o Nobel de Economia Joel Mokyr colocou o debate sobre IA em outra perspectiva: o maior risco ao progresso não estaria nas máquinas, mas nas escolhas sociais e políticas feitas ao redor delas.

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A frase incomoda porque contraria o roteiro mais comum: tratar IA como vilã autônoma. Mokyr não nega riscos reais — como vieses, vigilância e concentração de poder —, mas sugere que eles dependem menos do código e mais de regras, instituições e decisões humanas.

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Para ele, o populismo pode travar a inovação ao deslegitimar cientistas, intelectuais e universidades. Sem pesquisa de longo prazo, debate público qualificado e financiamento estável, tecnologia vira promessa curta — ou ferramenta capturada por poucos.

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Outro alerta é o “mercado de ideias” em colapso. Plataformas digitais aceleram conhecimento, mas também recompensam desinformação e teorias conspiratórias. Quando fatos perdem valor, até políticas básicas para IA, educação e segurança digital viram alvo de polarização.

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Mokyr também confrontou a xenofobia: imigrantes têm papel histórico na criação de empresas e no avanço científico. Fechar portas em nome de uma suposta proteção nacional pode reduzir talentos, circulação de conhecimento e a diversidade que ajuda a inovação a resolver problemas reais.

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Sobre a China liderar áreas como veículos elétricos, a leitura é pragmática: liderança tecnológica muda de lugar. A questão não é quem “possui” o futuro, mas como conhecimento, cadeias produtivas e benefícios ambientais podem circular sem criar novas dependências.

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A discussão central não é escolher entre acelerar ou frear a tecnologia. É decidir quem define seus objetivos, quem fiscaliza seus impactos e quem pode acessá-la. IA sem instituições confiáveis amplia desigualdades; com governança, pode expandir capacidades coletivas.

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A provocação de Mokyr vale como teste: se a tecnologia reflete prioridades humanas, o futuro digital será menos determinado por algoritmos do que pela nossa disposição de defender ciência, evidências e acesso amplo aos seus benefícios.

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