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Resumo em 10 segundos

Penas, ossos, pele e sangue carregam proteínas e moléculas valiosas — mas grande parte ainda termina como farinha. 🐔🔬

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🐔🔬 Cerca de 37% do peso de cada frango abatido no Brasil não vira carne. Em meio a penas, ossos, pele e sangue, há um enorme estoque de proteínas e biomoléculas que a ciência já sabe recuperar — mas que ainda costuma virar farinha. 🧵

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A história começa com uma pena entrando num digestor sob pressão. Vinte minutos depois, ela sai em pó. É eficiente para a logística, mas agressivo para a molécula: a queratina, proteína que representa até 85% do peso seco da pena, perde qualidade no processo.

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E isso não é um volume pequeno. O Brasil abateu 5,706 bilhões de aves em 2025. Penas equivalem a cerca de 7% do corpo; ossos, 15% da carcaça; sangue, 7,5% do peso de aves adultas. Cada fração guarda compostos diferentes — e potencial científico próprio.

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Nos ossos há cálcio, colágeno e ácidos graxos. Na pele e nos pés, colágeno para gelatina e biomateriais. Nas penas, queratina. No sangue, proteínas. O que parece sobra pode se tornar peptídeo, enzima industrial, filme de embalagem ou ingrediente de alto valor.

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Uma revisão de pesquisadores da UFSM, PUC-PR e Instituto Federal de Roraima, publicada na Ciência Rural, reuniu técnicas já testadas há mais de uma década: ultrassom, enzimas e hidrólise controlada para extrair essas moléculas sem degradá-las tanto.

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O Brasil já recicla os resíduos de abatedouros e varejo e é o 2º maior coletor mundial de resíduos animais. A questão não é simplesmente evitar o descarte: é elevar o destino desse material, de produto barato para matéria-prima de biotecnologia.

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A próxima fronteira pode estar menos em produzir mais e mais em aproveitar melhor o que já existe. Transformar subprodutos em materiais úteis reduz pressão por recursos, agrega ciência à cadeia e muda a pergunta: quanto valor ainda estamos deixando escapar em cada frango?

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