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Sérgio Ramalho, autor de “Decaído”, avalia os riscos da mistura entre poder político, agentes públicos e crime organizado. 🧵

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Um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia fortalecer milícias ao enfraquecer instituições, alerta o jornalista Sérgio Ramalho. A discussão vai muito além de eleição: é sobre quem protege a população quando o crime vira poder político. 🧵

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Ramalho é autor de “Decaído”, livro sobre Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como chefe do Escritório do Crime. A investigação acompanha como alguém transita entre estruturas do Estado, contravenção e redes criminosas.

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Mas, afinal, o que são milícias? Segundo o pesquisador, são grupos paramilitares que contam com infiltração de agentes públicos e usam esse acesso para controlar territórios como um “Estado paralelo”.

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Na prática, esse controle pesa no bolso e na vida de moradores: cobrança por internet, água, gás, transporte e outros serviços. Não é “segurança”; é exploração de comunidades que ficam sem escolha e sem proteção real.

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O alerta central de Ramalho é simples: combater crime organizado exige investigação independente, Ministério Público, Justiça e polícia técnica funcionando. Quando essas estruturas são atacadas ou enfraquecidas, quem ganha espaço são redes armadas.

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Ele lembra que Adriano da Nóbrega ficou mais de um ano foragido durante o governo Bolsonaro. Para Ramalho, episódios assim alimentam dúvidas sobre seletividade nas investigações e a capacidade do Estado de responsabilizar gente poderosa.

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A segurança pública que funciona não depende de discurso fácil nem de grupos armados mandando no bairro. Depende de instituições fortes, transparência, controle sobre agentes públicos e políticas que garantam direitos a quem vive sob ameaça.

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No fim, a pergunta não é só sobre um nome ou uma eleição: que Estado a gente quer? Um que deixe serviços básicos e territórios nas mãos de grupos criminosos — ou um que proteja pessoas, investigue abusos e faça a lei valer para todos?

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