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🌑 Em 1966, o litoral gaúcho virou laboratório espacial para investigar a atmosfera durante um eclipse total do Sol. 🧵

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Em 12 de novembro de 1966, a Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), foi palco de uma cena rara: foguetes científicos ligados a uma missão da NASA partiram da areia durante um eclipse total do Sol. 🌑🚀🧵

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A missão Eclipse foi coordenada no Brasil pela então Comissão Nacional de Atividades Espaciais, hoje INPE. O objetivo era medir mudanças na ionosfera e na atmosfera provocadas pela súbita ausência de luz solar.

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A ionosfera é uma região eletricamente carregada da alta atmosfera. Ela influencia comunicações por rádio e sinais que atravessam o planeta. Durante um eclipse, sua resposta à queda rápida de radiação solar pode ser observada em condições únicas.

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Os veículos usados eram foguetes de sondagem: sobem a grandes altitudes, coletam dados por poucos minutos e retornam. Diferentemente de foguetes orbitais, podem ser lançados de bases temporárias — por isso uma praia era uma escolha viável.

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A operação não ocorreu só no Sul. Também houve lançamentos no Rio Grande do Norte. Espalhar observações por diferentes pontos ajudava a registrar como o eclipse afetava a atmosfera ao longo da faixa de totalidade.

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O episódio mostra uma face pouco lembrada da cooperação científica no país: infraestrutura e pesquisadores brasileiros participaram de uma campanha internacional para observar um fenômeno que só dura poucos minutos em cada lugar.

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Hoje, a Praia do Cassino é conhecida pelo turismo e por sua história iniciada em 1890. Mas, em 1966, aquela faixa de areia também se conectou à pesquisa da atmosfera terrestre — lembrando que a ciência espacial pode começar bem mais perto do chão do que parece.

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