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Resumo em 10 segundos

📈 A cotação internacional avançou, mas a saca continua em R$ 70 no RS e R$ 75 no PR. O descompasso revela um mercado travado — e nem toda alta externa chega ao produtor. 🧵

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📈 O trigo chegou a US$ 6,82 por bushel em Chicago, a maior cotação em 19 dias úteis. No Sul do Brasil, porém, os negócios seguem travados e os preços estão estáveis. Por que a alta lá fora não virou valorização aqui? 🧵

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Em uma semana, Chicago saiu de US$ 6,52 para US$ 6,82 por bushel: alta de cerca de 4,6%. O movimento ocorre mesmo com o avanço da colheita nos EUA — normalmente, mais oferta tende a pressionar as cotações. Há outros fatores precificados pelo mercado.

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Nos EUA, 96% do trigo de inverno já havia sido colhido em 16 de agosto, acima da média histórica de 94%. No trigo de primavera, a colheita atingia 41%, contra média de 34%. Ou seja: a oferta está avançando mais rápido, mas Chicago reagiu para cima.

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No Brasil, o repasse foi praticamente nulo. A saca permaneceu em R$ 70 no Rio Grande do Sul e R$ 75 no Paraná. Preço internacional é referência, não transferência automática: câmbio, frete, qualidade, demanda local e poder de negociação mudam a conta.

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A baixa liquidez é o ponto central. Sem compradores dispostos a fechar volume e com vendedores tentando preservar margens, o mercado físico congela. Para produtores menores, que têm menos armazenagem e caixa, esperar por uma melhora pode nem ser uma opção.

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A safra brasileira é estimada em 5,8 milhões de toneladas pela Conab. A colheita nacional estava em 4,7% da área até 11 de agosto, puxada por Goiás (70%) e Minas Gerais (35%). No Paraná, a colheita deve começar em setembro; no RS, ainda está distante.

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O Paraná tem lavouras majoritariamente boas, mas excesso de umidade já causou amarelecimento em algumas áreas; ventos fortes provocaram acamamento pontual. Clima não é detalhe: afeta produtividade, padrão do grão e, no fim, o preço que chega ao produtor.

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A lição é simples: alta em Chicago não garante renda maior no campo brasileiro. Um mercado agrícola saudável depende de informação acessível, logística competitiva, crédito e armazenagem — para que a decisão de vender não seja ditada apenas pela urgência financeira.

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