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No litoral italiano, cientistas estão soltando filhotes de polvo para enfrentar um invasor que já custou cerca de R$ 100 milhões. 🐙🦀

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A Itália está respondendo a uma invasão no mar com um aliado improvável: 80 mil filhotes de polvo. 🐙🦀 No Adriático, eles foram soltos para frear o caranguejo-azul, espécie invasora que devora mariscos e ameaça a pesca local. 🧵

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O caranguejo-azul, Callinectes sapidus, veio da costa atlântica da América do Norte — possivelmente escondido na água de lastro de navios. No Mediterrâneo, encontrou águas mais quentes e poucos predadores. Resultado: sua população disparou.

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Com garras fortes e talento para abrir conchas, ele virou um pesadelo no nordeste italiano, uma das grandes regiões produtoras de amêijoas da Europa. Desde 2022, os prejuízos estimados na Emília-Romanha chegam a €17 milhões: cerca de R$ 100 milhões.

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Foi daí que nasceu o Octo-Blu, da Universidade de Bolonha. A lógica é simples, mas ambiciosa: restaurar uma relação ecológica. Na natureza, o polvo-comum é um predador eficiente de crustáceos — inclusive de caranguejos.

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Os filhotes nascem em tanques de água salgada num laboratório em Cesenatico. Quando estão no estágio certo, seguem aos milhares para o mar e são liberados perto de recifes com tocas artificiais de cimento e argila, onde podem se abrigar.

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Desde junho, 80 mil jovens polvos já entraram nessa história. A meta era chegar a 160 mil até o fim de agosto. A esperança é que sobrevivam, se estabeleçam e façam o que polvos sabem fazer: caçar crustáceos.

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Não é uma “solução mágica”: a equipe precisará monitorar sobrevivência, impacto no ecossistema e redução real dos caranguejos. Mas o experimento mostra como ciência, monitoramento ambiental e apoio público podem buscar respostas menos destrutivas a invasões biológicas.

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No fundo do Adriático, cada pequeno polvo solto carrega uma aposta: que compreender a teia da vida pode ser mais eficaz do que lutar contra ela às cegas. 🐙

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