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🧪 Uma declaração sobre árabes “não produzirem ciência” ignora fatos básicos, vencedores do Nobel e séculos de conhecimento.

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🧪 Robert F. Kennedy Jr. afirmou que árabes “não produzem ciência” nem ganham Nobel. Além de generalizar centenas de milhões de pessoas, a frase é desmentida pelos próprios arquivos do prêmio. Vamos aos fatos 🧵

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Primeiro, uma distinção básica: “árabe” é uma identidade ligada sobretudo a língua e cultura; “muçulmano” se refere a religião. Há árabes de várias religiões e muçulmanos que não são árabes. Misturar esses grupos já prejudica qualquer debate sério.

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Um contraexemplo científico direto: o egípcio Ahmed Zewail recebeu o Nobel de Química em 1999. Seu trabalho ajudou a criar a femtoquímica, técnica que observa reações químicas em escalas de femtossegundos — um milionésimo de bilionésimo de segundo.

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Por que isso importa? Ver moléculas mudando quase em “câmera ultralenta” abriu caminhos para entender ligações químicas e processos em materiais e na biologia. Ciência não é uma disputa entre povos: ela avança com redes internacionais, investimento e educação.

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E a alegação também falha fora dos laboratórios: o egípcio Naguib Mahfouz ganhou o Nobel de Literatura em 1988. A iemenita Tawakkol Karman dividiu o Nobel da Paz em 2011. Os registros são públicos — e bastam para desmontar a frase.

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Há ainda uma lição maior: atribuir desempenho científico a uma origem étnica apaga contextos como guerras, colonialismo, desigualdade de financiamento e barreiras à educação. Talento existe em toda parte; oportunidades e recursos, não.

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A história da ciência também registra contribuições árabes fundamentais em matemática, medicina, óptica, astronomia e preservação de textos antigos. Reconhecê-las não é favor nem propaganda: é o mínimo de precisão exigido por uma discussão baseada em evidências.

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