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Cerveja, pneus e celulares entram sem impostos na Argentina. O caso mostra como estabilização cambial sem fiscalização pode distorcer a concorrência. 🍺📱

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A abertura econômica de Javier Milei ajudou a estabilizar o peso argentino — mas trouxe um efeito colateral caro: o contrabando avança em vários setores. Estimativas apontam até 40% das cervejas e 30% dos pneus vendidos no país fora dos canais legais. 🍺🛞🧵

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O dado mais impressionante está nos celulares: a participação dos aparelhos ilegais teria saltado de 7%, antes de Milei assumir em 2023, para mais de um terço do mercado hoje, segundo associação do setor.

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Não se trata apenas de falsificação. Há produtos legítimos — uísque, roupas, cervejas, eletrônicos — entrando sem impostos e tarifas. Para quem paga tributos, cumpre regras sanitárias e mantém empregos formais, a competição vira um jogo desigual.

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O paradoxo cambial explica parte disso. Quando havia grande distância entre o dólar oficial e o paralelo, importar informalmente era mais difícil e caro. Com as cotações mais próximas após a estabilização, essa barreira econômica caiu.

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Mas culpar apenas a abertura comercial seria simplista. Reduzir burocracia pode baratear produtos e ampliar opções ao consumidor. O problema surge quando a simplificação não vem acompanhada de aduana equipada, rastreabilidade e inteligência contra redes ilegais.

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O custo não fica restrito às empresas. Contrabando pressiona arrecadação, enfraquece empregos formais e pode expor consumidores a mercadorias sem garantia, controle de qualidade ou segurança. Preço menor na prateleira pode esconder riscos e perdas coletivas.

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A lição para a Argentina é clara: moeda estável e comércio mais aberto são ativos, não soluções mágicas. Sem fiscalização proporcional e regras previsíveis, quem ganha espaço não é necessariamente o consumidor — são intermediários que operam fora do sistema.

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