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Uma defesa de 78 páginas, oito carteiras e uma venda em dinheiro vivo colocaram o Bitcoin no centro de uma investigação patrimonial na Argentina. ₿🕵️

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US$ 600 mil em Bitcoin, dinheiro vivo e encontros em locais públicos: essa é a versão apresentada por Manuel Adorni à Justiça argentina para explicar seu patrimônio. A história envolve oito carteiras, chaves privadas e uma investigação. ₿🧵

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Ex-chefe de Gabinete de Javier Milei, Adorni entregou uma defesa de 78 páginas após ser investigado por suposto enriquecimento ilícito. A tese: grande parte dos recursos já existia antes de ele entrar no governo, graças a operações com Bitcoin entre 2014 e 2018.

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Segundo a apresentação, as operações em oito carteiras virtuais renderam US$ 591.544,61. O dinheiro teria sido reinvestido em Bitcoin e, mais tarde, convertido em espécie — guardada fora do sistema bancário, em casa.

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O trecho mais incomum remete a 5 de agosto de 2017: Adorni afirma ter vendido criptoativos e recebido quase US$ 300 mil em cédulas de um desconhecido, em local não revelado e sem plataforma, banco ou intermediário.

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Para vincular as carteiras a si, ele apresentou uma ata notarial dizendo que possui as chaves privadas. As carteiras, porém, estariam hoje vazias. Ter a chave comprova controle atual do endereço, mas não elimina sozinha dúvidas sobre cada etapa financeira anterior.

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A narrativa expõe um contraste clássico do universo cripto: o Bitcoin permite autocustódia e transações diretas, mas operações grandes em espécie podem dificultar rastreabilidade, origem dos recursos e fiscalização — especialmente para quem exerceu função pública.

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Não é o Bitcoin no banco dos réus, e sim a necessidade de evidências verificáveis quando patrimônio e poder público se cruzam. Transparência não precisa sufocar a inovação: ela ajuda a separar privacidade legítima de explicações que a Justiça ainda terá de testar.

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