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Resumo em 10 segundos

O Brasil emite mais títulos pós-fixados — os “selicados” — do que em qualquer ciclo de 4 anos desde 2006. O alívio para investidores pode virar pressão para as contas públicas. 📉

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O Brasil caminha para fechar o atual mandato com a maior emissão de títulos atrelados à Selic em 4 anos desde 2006. 📉 Até julho, foram R$ 2,8 trilhões em papéis pós-fixados — 48,2% de tudo o que o Tesouro emitiu. 🧵

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Na prática, são as LFTs, títulos que acompanham a Selic. Para quem investe, elas funcionam como porto seguro: se os juros sobem, o rendimento acompanha. Para o Tesouro, porém, isso transfere a incerteza dos juros diretamente para a conta pública.

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O contraste é grande: no governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, os papéis “selicados” representaram 34% das emissões. Agora, a fatia chegou a 48,2%. Não é só um detalhe técnico: é uma mudança no risco carregado pela dívida.

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A razão está em disputa. Especialistas apontam desconfiança sobre a trajetória fiscal brasileira, que reduz o apetite por títulos prefixados e indexados à inflação. O Tesouro ressalta vencimentos da dívida e a conjuntura financeira, incluindo a turbulência externa.

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O ponto crítico: a Selic subiu 4,5 pontos percentuais entre setembro de 2024 e junho de 2025 e ficou elevada por mais nove meses. Quanto maior a parcela pós-fixada, mais rápido esse choque de juros encarece o serviço da dívida.

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Pelo cálculo do Banco Central, cada alta de 1 ponto na Selic adiciona R$ 60,6 bilhões à dívida bruta — 0,46% do PIB. É por isso que a composição importa tanto quanto o tamanho da dívida: ela determina quão sensível o orçamento fica às decisões de juros.

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A dívida bruta alcançou 81,9% do PIB, ou R$ 10,8 trilhões, após subir 10 pontos desde o início do governo. Títulos pós-fixados podem facilitar a rolagem hoje, mas cobram uma pergunta incômoda: até quando o país conseguirá financiar sua dívida com juros tão altos?

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