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Do fundo do pré-sal ao chão das fábricas: a oferta firme de gás deve crescer 50% até 2035. O gargalo pode não ser produzir, mas criar demanda. 🔥

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O Brasil está construindo uma nova estrada de gás no fundo do mar — mas pode chegar ao destino sem clientes suficientes. 🔥🧵 A oferta firme deve saltar 50% até 2035, puxada por megaprojetos no pré-sal e no Nordeste.

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A cena começa em águas ultraprofundas da Bacia de Campos. A Equinor já instalou mais de 200 km do gasoduto do projeto Raia, parceria com Petrobras e Repsol Sinopec. O próximo passo é conectá-lo ao terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ).

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Raia deve operar em 2028, com capacidade de até 16 milhões de m³ por dia. O investimento é de US$ 9 bilhões, cerca de R$ 45 bilhões. Pela primeira vez no país, o gás será tratado no mar e enviado direto à rede de transporte.

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Mais ao Norte, outro capítulo ganha forma: a Petrobras prepara duas plataformas no litoral de Sergipe-Alagoas. A produção prevista a partir de 2031 adiciona fôlego a uma oferta que pode ir de 58 milhões para 87 milhões de m³/dia entre 2026 e 2035.

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Somados, Raia e Sergipe-Alagoas podem colocar 35 milhões de m³/dia extras no mercado — volume comparável a um novo Brasil-Bolívia por anos. Para as empresas, é uma oportunidade gigantesca. Mas também nasce uma pergunta incômoda: quem vai consumir tudo isso?

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A demanda brasileira por gás está praticamente estagnada há duas décadas. Muitas indústrias ainda recorrem ao coque, derivado do carvão mineral, por ser mais barato. Sem infraestrutura, preço competitivo e contratos previsíveis, o novo gás pode virar excedente.

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O desafio de negócio vai além de vender às distribuidoras: ampliar redes, levar gás a regiões hoje desconectadas e apoiar a troca de combustíveis mais poluentes na indústria. Isso exige coordenação entre empresas, regulação e planejamento público.

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A próxima década pode redefinir o mercado energético brasileiro: mais oferta não garante, sozinha, desenvolvimento. O valor desses bilhões investidos dependerá de transformar moléculas em indústria mais competitiva, empregos e uma transição energética responsável.

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