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O Brasil projeta R$ 430 bilhões para mobilidade até 2054, mas investe muito menos do que precisa por ano. E a eletrificação cobra planejamento além da compra dos veículos. 🚌⚡

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O Brasil quer eletrificar ônibus, mas uma pergunta vem antes: de que adianta comprar a frota se não houver energia e recarga para mantê-la rodando? 🚌⚡ O BNDES projeta R$ 430 bilhões em mobilidade até 2054. 🧵

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O contraste é enorme: a mobilidade urbana recebeu, em média, R$ 6 bilhões por ano na última década. A necessidade estimada pelo BNDES é de R$ 50 bilhões anuais. Como reduzir congestionamentos e emissões com um investimento tão distante da demanda?

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O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana mapeou 187 projetos nas 21 maiores regiões metropolitanas. A previsão é ampliar as redes coletivas em cerca de 2.500 km. A questão: esse plano sairá do papel na velocidade que as cidades precisam?

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Do crescimento projetado, 1.930 km seriam de BRT, VLT ou monotrilho, além de 157 km de corredores exclusivos de ônibus. Corredor bem planejado é tempo devolvido a quem depende do transporte público. Por que ainda tratamos isso como gasto, e não infraestrutura essencial?

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Na eletrificação, o veículo é só uma parte da conta. Autonomia muda o tamanho e o peso das baterias; baterias afetam capacidade de passageiros; e a rede elétrica pode definir custo e prazo. Quem está planejando o sistema inteiro, não só a vitrine?

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Em BRTs e linhas de alta frequência, não basta um ônibus ser elétrico: ele precisa cumprir jornadas longas sem quebrar a regularidade. Recarga em garagem, terminal ou oportunidade no trajeto? Cada escolha altera frota, operação e obras.

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O BNDES aprovou R$ 10 bilhões no Mais Mobilidade até junho de 2026; para ônibus elétricos, foram R$ 4,5 bilhões desde 2023, envolvendo cerca de 2 mil veículos. É um começo relevante — mas pequeno diante da escala urbana brasileira.

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A pergunta decisiva não é se o ônibus elétrico chegará, mas para quem ele chegará primeiro — e com qual qualidade de serviço. Eletrificar sem expandir e integrar a rede pode trocar o motor, mas manter a desigualdade da viagem.

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