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Um escritor relembrou 1989, publicou suas memórias e viu o post sumir no Brasil às vésperas da eleição. O caso expõe a opacidade da moderação nas redes. 📱🗳️

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Uma agenda de 1989, lembranças de adolescência e um ato político no Rio. Foi assim que o escritor Marcelo Moutinho escreveu um post — e acabou vendo a publicação bloqueada no Brasil pelo Instagram às vésperas do 1º turno. 📱🗳️🧵

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A cena começou na avenida Rio Branco, em 2 de outubro, durante um ato de campanha de Lula. Moutinho voltou às anotações que guardava desde os 17 anos: eleição, foto de atriz, ingressos do Fluminense. Era uma memória pessoal transformada em texto.

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Segundo ele, não havia pedido de voto. Ainda assim, veio o aviso: “Sua foto está indisponível no seguinte país: Brasil”. A plataforma citou regras eleitorais, mas não apontou qual trecho do conteúdo teria violado essas regras.

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O problema não foi só o bloqueio. Moutinho diz que não encontrou um caminho efetivo para contestar a decisão e não conseguiu recuperar o post antes da votação. Ele voltou ao ar apenas depois do 1º turno — quando o momento do debate já tinha passado.

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O caso não parece isolado. Levantamento da CTRL+Z, obtido pela BBC, reuniu mais de mil relatos no Instagram: posts removidos, contas restringidas e queda de alcance em conteúdos sobre as eleições brasileiras.

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Entre os registros, há 46 casos ligados a jornalistas, movimentos sociais e estudantis. Mais da metade envolvia perfis apagados, banidos ou posts censurados. O relatório aponta mais denúncias entre perfis pró-Lula, mas também cita restrições a críticos do presidente.

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Moderar abusos é necessário. Mas, numa eleição, regras obscuras e sem recurso acessível podem atingir justamente quem tem menos poder para se defender. Transparência, explicação detalhada e revisão humana não são luxo: ajudam a proteger o debate público.

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