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Resumo em 10 segundos

💎 Um cristal vindo de mais de 300 km de profundidade virou uma cápsula do tempo científica no Sirius, em Campinas. 🧵

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💎 Um diamante de menos de 3 milímetros, encontrado em Juína (MT), pode ajudar a contar a história das profundezas da Terra. Com o acelerador Sirius, cientistas enxergaram materiais presos nele há milhões — ou bilhões — de anos. 🧵

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Por que um diamante é tão valioso para a ciência? Porque ele se forma sob pressão e temperatura extremas e pode aprisionar minúsculos minerais durante seu crescimento. Como fica muito resistente, protege essas “amostras” do mundo profundo até chegarem à superfície.

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Nós conhecemos bem pouco do planeta sob nossos pés: a perfuração mais profunda já feita passou pouco de 12 km. Mas alguns diamantes se originam entre 150 e 250 km; os chamados superprofundos vêm de mais de 300 km. É um acesso indireto — e precioso — ao manto terrestre.

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Em Juína, erupções vulcânicas extremamente violentas, há cerca de 90 milhões de anos, transportaram esses cristais das profundezas até a superfície. A região brasileira se tornou, por isso, uma fonte importante para entender processos que não podemos observar diretamente.

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O diamante analisado foi doado por uma cooperativa de garimpeiros em 2018. No Sirius, em Campinas, tomografias 3D de alta resolução identificaram cerca de 100 materiais em seu interior — sem destruir o cristal. Ciência de ponta também depende de colaboração e acesso a infraestrutura pública.

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Um fragmento chamou atenção: ele reunia goethita, hematita e magnetita, três minerais ricos em ferro, completamente encapsulados. Encontrar essas fases juntas ajuda a reconstruir as condições químicas e físicas existentes no interior do planeta quando a inclusão foi aprisionada.

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Esses diamantes já mostraram que placas oceânicas, ao mergulharem no manto num processo chamado subducção, carregam água e carbono para grandes profundidades. Ou seja: o interior da Terra participa ativamente dos ciclos que moldam a superfície, o clima e os vulcões.

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A lição de um cristal de 3 mm é enorme: sem cavar centenas de quilômetros, pesquisadores podem ler pistas preservadas por eras geológicas. Cada inclusão mineral é uma página de uma história que começou muito antes dos seres humanos existirem.

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