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Resumo em 10 segundos

A morte de um pioneiro da resposta brasileira à Aids expõe uma questão incômoda: tratamento pode depender do preço imposto por um laboratório? 🩺

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Morreu aos 77 anos Paulo Roberto Teixeira, referência da saúde pública e um dos criadores da resposta brasileira à Aids. 🩺🧵 Mas o que sua trajetória revela sobre quem pode — ou não — ter acesso a tratamento?

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Em 1983, quando a Aids era pouco conhecida e cercada de medo, desinformação e estigma, Teixeira ajudou a desenhar a primeira resposta governamental no Brasil. A pergunta era urgente: combater a epidemia sem abandonar as pessoas afetadas?

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Ele vinha do programa de hanseníase de São Paulo, outra doença historicamente ligada à exclusão. Não foi acaso: prevenção sem respeito e assistência sem dignidade realmente funcionam para alguém?

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A resposta defendida por Teixeira unia prevenção, cuidado, antirretrovirais e parceria com a sociedade civil. Parece óbvio hoje — mas por que políticas de saúde ainda tantas vezes são feitas sem ouvir quem vive o problema?

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Em 2000, ele denunciou que os preços dos medicamentos ameaçavam o acesso universal pelo SUS. A provocação segue atual: quando uma patente torna um remédio inacessível, o que deve valer mais — exclusividade comercial ou vidas?

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Teixeira defendeu flexibilizar patentes e articulou transferência de tecnologia para produzir genéricos entre países do Sul Global. Em 2001, a OMC reconheceu que o direito à saúde pode prevalecer sobre regras de propriedade intelectual. Quem ganhou com isso? Milhões de pacientes.

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Na OMS, integrou a estratégia 3 by 5, que buscava colocar 3 milhões de pessoas com HIV em tratamento até 2005. Seu legado deixa uma pergunta sem resposta fácil: se já sabemos que acesso salva vidas, por que ele ainda pode ser tratado como privilégio?

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